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Podridão de Esclerotínia em alfaces

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O que é?

Doença de origem fúngica, cosmopolita (infecta inúmeras culturas, incluindo alface, salsa, rúcula,…)/generalista e na maior parte do seu ciclo, contaminante de solo. Causada pelo agente Sclerotinia sclerotiorum, apodrecimento iniciando-se com uma formação de um mofo denso e claro na base do caule, irradiando tanto para cima como para baixo, causando grandes perdas na produção;

A principal característica deste que o torna um problema é a sua forma de existência preferencialmente vegetativa (forma de micélio/mofo) e formação de estrutura de resistência (de tamanho irregular, com carapaça escura/quase preta) que pode persistir no solo por cerca de 8 anos, sem interferência com o meio externo, portanto, sem absorver água, nutrientes e muito menos defensivos/fungicidas, persistindo no ambiente de cultivo;

No Brasil, apesar de em algumas culturas (visto em muitas flores) formarem a forma sexuada (Basidiomycetes), é mais comum a sua identificação no tecido infectado pela alça de conexão típica em seu micélio e claro, se possível a sua estrutura de resistência (escleródio);

Como ocorrem?

Apesar da forma agressiva de ocorrência, este não é tão significativo para a maioria das culturas (não é o caso da alface), quanto ao seu ‘parente’ Sclerotium rolfsii, por ocorrer preferencialmente em condições de temperaturas amenas (entre 13 a 15°C) e alta umidade por longos períodos para haver infecção, condição que ocorre basicamente no inverno e em poucas regiões no Brasil, um país preferencialmente tropical;

Que pode ser um agravante, já que o produtor pode instalar a cultura em longas extensões de terra, cultiva-las e ter grandes perdas apenas pela ocorrência de condições ambientais específicas e favoráveis para a infecção do fungo em menos de 1 semana, no inverno;

O que causa?

Podridão inicialmente firme e seca, esta se inicia na base das plantas (caule), irradiando tanto para cima como para baixo, em condições de alta umidade e muitas horas com temperaturas em torno de 15 a 13°C (em flores, pode ocorrer apenas na parte aérea do caule, com o abafamento da planta: quando esta é ensacada para venda, propiciando um microclima favorável para seu desenvolvimento); no caso da alface, muitas vezes provoca o anelamento do caule e perda do miolo de plantas em campo;

Com a diminuição do ‘alimento’ (planta infectada) para o fungo ou existência de fatores adversos (como a aplicação de fungicidas), é comum a formação das estruturas de resistência ao longo do micélio ou dentro da planta/caule, que em plantas mais lenhosas, estas se formam no interior do caule, obstruindo passagem de água e minerais, provocando murcha/secamento da planta (hortênsia, poinsétia entre outras);

Como manejar?

Por ser um fungo preferencialmente de solo e não ser propagado por meio de água ou vento (não é comum a existência de esporos e, mesmo quando este ocorre, sua principal via de disseminação é pelo solo ou restos da cultura infectada) a melhor forma de prevenção desta é o uso de solo/substrato de boa qualidade, isenta do patógeno ou tratada termicamente;

Tem sido um problema relativamente recorrente em hidroponia, não por este se propagar na água, mas pelo substrato da produção de mudas e um substrato de qualidade determina cerca de 80% ou mais da muda que deverá ir ao perfil;

Mais do que o tratamento à vapor (dependendo do tempo de aquecimento do substrato tratado, este teria que ser mantido por bastante tempo a ponto de atravessar a casca (formado por basicamente o próprio micélio, morto) e atingir o interior do escleródio para eliminação deste; a solarização seria um processo mais eficiente, pois o abafamento inicial estimula o micélio a ‘sair’ da sua estrutura de resistência e procura de fontes de amido (portanto a sua ‘preferencia’ por caule, antes de raízes) para infectar, condição que este é vulnerável a controle por produtos químicos ou mesmo ambientais (ventilação/baixa umidade);

Em condições em que o micélio está exposto, a maioria dos fungicidas de contato e generalistas/de largo espectro tem ação de controle sobre estes, porém o problema é a estrutura de resistência, que não absorve nem nutrientes e nem produtos; sendo a solarização ou mesmo o tratamento a vapor, uma estratégia melhor de controle (apesar de preventivos/antes da instalação da cultura);

Uma alternativa intermediária de controle e prevenção, com a cultura instalada, seria a aplicação de microorganismos antagônicos (agentes de controle biológico) como Trichoderma ou Bacillus subtilis ou Bacillus pumila, para equilibrar a flora do solo e evitar danos à cultura, durante a produção e durante o inverno;

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